Tuburlências familiares

          É um dia quente de primavera, todos estavam no riacho que corta a cidade, é um lugar aprazível, os jovens e as crianças passam as tardes de domingo a se banhar nas águas cálidas de um riacho que no passado distante já fora um rio,mas com o passar dos anos, com o desmatamento da beira do rio e a agricultura em alta, foi ficando  cada dia mais raso e  hoje só um regato existe ali, de quando em quando uma boa chuvarada aumenta o volume e todos vão admirar o curso d'Água. Maria em seus tempos de menina não se atrevia a ir até a barranca do rio, sua mãe lavava roupas em uma tabua de madeira e estendia todas em um gramado que havia mais para cima, mantinha as crianças sobre um olhar rigido, era perigoso! Não se sabia ao certo se era medo do rio ou da mãe, mas as crianças nunca aproximava do lugar onde ela estava, Luizinho dormia tranquilo em um cesto de taquara que sua mãe havia feito para este fim, com uma corda ela laçava um galho de arvore e amarrava o cesto e Maria balançava quando o pequeno chorava. Lembranças ! Agora meio seculo havia passado desde aquele tempo e hoje Maria sentada em seu pequeno escritório escreve suas aventuras antigas. havia completado 60 anos e levava uma vida modesta no interior,gostava de viver onde todos a conheciam, cumprimentava todos com um aceno.  Vivia trancada, com portões e janelas fechadas, não queria ver ninguém, até do padre tomou uma antipatia gratuita, missa que antes não perdia, adorava fazer leitura no altar, conversar com antigas conhecidas, hoje está limitada ao velho terço que ganhou da filha que trouxe de Fátima em Portugal. Maria aquela mulher irreverente, hoje perdeu a vontade e viver. dedicou 20 anos ao companheiro e ele  abandonou do nada, sem nenhuma  palavra, em momentos de nostalgia argumenta que se arrepende de ter dedicado a parte mais nobre de sua vida. A noite chegou e uma lua cheia com eclipse deve ser vista em todo o hemisfério sul onde não estiver chovendo, e hoje está uma noite linda.Maria ao ouvir o barulho das crianças fazendo algazarra nas ruas e as mães atarefadas com o jantar à fazer e crianças para dar banho e depois para a praça da cidade, tomar um sorvete e apreciar o eclipse lunar.
Pequenas lembranças de 2015 !!!              

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